Você escolhe a sua madeira de forma sustentável?

Somos simplesmente atraídos, apaixonados, curiosos por suas cores, desenhos, seu toque, seu cheiro. A relação da madeira para nosso conforto é tão ancestral.  A madeira nos protege do frio, tranca a nossa casa, oferece onde sentar, deitar, fecha as janelas, forra o teto, é apoio de nossa comida, guarda nossos pertences e roupas. Protege nossos animais. Fica clara esta relação de proximidade, nossa sensação de pertencimento. Esta conexão com aquecimento, proteção e lar faz da madeira uma matéria prima que provoca sensações muito de positivas! Tire proveito disso!

 

De lei?

O que conhecemos hoje como madeira de lei, recebe este nome desde a época de Dom João IV. Foi em 1698 que a tal “Lei” deixou transparecer o crescente interesse sobre as madeiras mais resistentes e estas, por sua vez, foram designadas para uso exclusivo para construção civil, naval, mobiliário e para os dormentes das ferrovias da coroa.

Biologicamente a madeira que conhecemos como “de lei”, provém de dicotiledôneas angiospérmicas. Ao imaginarmos o corte de seus troncos na horizontal, visualizemos dois círculos concêntricos, o cerne ou miolo, que é mais escuro que a borda, ou borne.

Madeira clara, como os pinus e os eucaliptos, provém de plantas gimnospérmicas. São mais macias, mais trabalháveis, possuem um menor grau de dureza. Mas não se engane, somente a cor ou o tipo de planta não desmerece a qualidade da madeira. Existem graus de trabalhabilidade e resistência para cada utilização, além de todo o controle de secagem que deverá garantir esta durabilidade por muitos anos. As madeiras certificadas garantem compromisso aos processos, e por isso, o resultado é um móvel mais durável e ecologicamente correto!

Encontrei um toquinho! Então, chame o Vinícius!

Acreditamos no design transformador. Aquele que integra, que comunica, que compõe. Recuperar a madeira condenada, e fazer dela um objetos admiráveis, este é caminho seguido

O designer gaúcho Hugo França em uma de suas milhares de criações.

Hugo viveu por 15 anos em Trancoso, Bahia. Foi lá que o designer descobriu o pequi-vinagreiro, também conhecido como angélica, uma árvore de grande porte e muitos veios com desenhos aparentes. Começou a transformar as raízes, troncos, partes e peças que encontrava por seu caminho. Peças, muitas vezes tão grandes que necessitam de transporte especial.

Preservou as irregularidades e as imperfeições naturais com técnicas que aprendeu com os índios pataxós, valorizou e criou suas magníficas esculturas mobiliárias.

 

 

O trabalho de Hugo França já foi exposto em NY, Miami, Bienal de Vancouver, no Instituto Tomie Ohtake e também em Inhotim, MG, local que possui o maior acervo particular do designer, com 98 peças espalhadas pelo parque para deleite dos visitantes!

 

Havia madeira em nosso caminho…

O designer Juliano Guidi encontra suas futuras peças caminhando pela zona rural no estado do Paraná! A comunicação entre obra e mestre inicia com o resíduo ainda na natureza, no processo de resgate. Sim, são resíduos de madeiras nobres, enterrados, ás vezes submersos, que precisam ser retirados, para então, serem transformados. São levadas de trator ou caminhão até seu atelier onde trabalha para encontrar dentro das linhas orgânicas de cada peça, o que ela quer ser! A madeira é tratada para garantir durabilidade e beleza, e em meses, ou anos, será transformada em objetos exclusivos como gamelas, bases para mesas, bancos, mesas de centro.

Circle Chair, de Hans Wegner.

Diante da crescente busca por um estilo de vida mais responsável, antenado sobre nossas pegadas ecológicas, consumo consciente e sustentabilidade, não devemos deixar de lado as informações sobre a proveniência da madeira que consumimos.

Toda madeira comercializada deveria ser, no mínimo, legalizada, garantindo que não é proveniente de desmatamento irregular, o que é crime. A natureza sofre, a sociedade sofre, o planeta sofre.

 

Cadeira Jandaia, por Asa Design. Base de mesa, por Residual. Toda madeira legalizada é sustentável, e pode ter sua origem rastreada, indicando o local de seu manejo.

 

 

 

 

 

 

Poltrona Uirapuru, Asa Design

Já a madeira certificada, que além de ser legalizada, possui um grande compromisso com o respeito, bem-estar e direitos dos povos indígenas e tradicionais da região de extração, manutenção da integridade da floresta e monitoramento constante dos impactos, no mínimo. São tantos critérios avaliados repetidamente por órgãos certificadores, tudo para termos certeza do menor impacto possível.

São através de escolhas como estas que assumimos o compromisso voluntário com a saúde da floresta e seus habitantes, evitamos o desmatamento e o consequentemente o aquecimento global. Estes cultivos também estão livres de transgênicos. E você não paga a mais por isso. Estima-se que há um uma diferença de apenas 5% no valor final entre os produtos ilegais e produtos legalizados e certificados. Ou seja, é apenas uma questão de escolha consciente.

O selo FSC, Forest Stewardship Council, ou Conselho de Manejo Florestal, é uma das entidades que certifica a madeira através de critérios de sustentabilidade. Esta certificação não se restringe a madeira, é um selo que pode ser obtido por diversos produtos vindo da natureza, tal como castanhas ou até embalagens de papel.

Escolha pelo respeito seu entorno social, ambiental e econômico. Escolha produtos certificados.

 

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